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Memórias do Instituto Oswaldo Cruz
Fundação Oswaldo Cruz, Fiocruz
ISSN: 1678-8060 EISSN: 1678-8060
Vol. 92, Num. 4, 1997, pp. 563-564
Mem Inst Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, Vol. 92(4), July/August 1997, pp. 563-564

RESEARCH NOTE

Comportamento reprodutivo de Synthesiomyia nudiseta van der Wulp (Diptera: Muscidae) sob condicoes de laboratorio

Jose Mario d'Almeida^+, Maria Lucia Garcia Piana, Cristiane Tebaldi Selem

Laboratorio de Biologia e Controle de Insetos Vetores, Departamento de Biologia, Instituto Oswaldo Cruz, Av. Brasil 4365, 21045-900 Rio de Janeiro, RJ, Brasil
^+ Autor correspondente.

Recebido em 18 de novembro de 1996
Aceito em 10 de marco de 1997


Code Number: OC97102 
File Sizes:
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    Graphics: Tables (jpg) - 32.2K

Reproductive Behaviour of Synthesiomyia nudiseta van der Wulp (Diptera: Muscidae) under Laboratory Conditions - Observations were carried out on the reproductive behavior of Synthesiomyia nudiseta females. The results of the biological parameters were: pre-oviposition period (15.5+/-4.7 days), oviposition period (25.4+/-14.7 days), number of eggs per oviposition (95.9+/-18.4) rate of ovipositant females (97.5%), number of ovipositions (5.31+/-3.2), number of eggs per females (509.7+/- 324.9), rate of hatching (68.0+/-19.0), female longevity (53.2+/-14.7 days), reproductive potential (67.4%) and reproductive investiment (4.1).

Palavras-chave: Synthesiomyia nudiseta - comportamento reprodutivo - femeas isoladas

Synthesiomyia nudiseta (Wulp, 1883) e um muscideo de distribuicao geografica neotropical (CJB Carvalho et al. 1993 Part II, Muscidae. A Catalogue of the Fanniidae and Muscidae (Diptera) of the neotropical region. Sociedade Brasileira de Entomologia. Sao Paulo, 201 pp.). No Brasil demonstra preferencia por areas habitadas (AX Linhares 1981 Rev Bras Entomol 25: 231- 246, JM d'Almeida 1992 Mem Inst Oswaldo Cruz 87: 381- 386), o que faz deste muscideo um vetor, em potencial, de patogenos (B Greenberg 1971 Flies and Diseases vol. I: Princeton Univ. Press, Princeton, NJ XII, 856 pp.).

O Freire (1914 Gazeta Medica da Bahia 46: 110-125) e LF Jiron et al. (1983 Brenesia 2: 3-5) ressaltam a relevancia de S. nudiseta para a Ento-mologia Forense. A despeito de sua importancia em Saude Publica, e uma especie pouco estudada. Ate o presente, existem poucos estudos sobre seu comportamento reprodutivo em cativeiro.

O objetivo deste trabalho foi avaliar o potencial e o investimento reprodutivo de S. nudiseta. Os parametros analisados foram: periodo de pre e de oviposicao, numero de oviposicoes, numero de ovos por oviposicao e por femeas, eclodibilidade, longevidade das femeas, numero de ovariolos por ovario e por femea e peso das femeas.

Colonias de S. nudiseta foram estabelecidas atraves de adultos capturados no campus do Instituto Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, RJ. As moscas coletadas foram mantidas em gaiolas de madeira revestidas com tela de nailon (30 x 30 cm) e alimentadas com uma mistura de leite em po, acucar refinado e levedo de cerveja (2: 2: 1), alem de agua ad libtum. As moscas, da primeira geracao de laboratorio, utilizadas nas experiencias, foram provenientes de larvas criadas em carne moida, na proporcao de uma larva por grama de dieta. Quatro ensaios foram realizados, totalizando 81 femeas, o primeiro com 18, e os outros com 20, 20 e 23 femeas, respectivamente.

As pesquisas foram feitas sob condicoes de laboratorio (21,3+/-1,2 C e 55-80% UR), no periodo compreendido entre 1 de junho e 15 de setembro de 1996.

Cada casal, recem-emergido, foi alojado em pote transparente de polietileno (8 cm de altura x 12 cm de diAmetro). A face superior foi coberta com organza, presa por elastico; na face inferior foi aberta uma janela lateral de 6 cm x 3 cm, que era mantida fechada com fita adesiva, permitindo apenas a troca da dieta. Sobre a organza era colocado, diariamente, algodao embebido em mel a 50%. As posturas eram estimuladas, a partir do segundo dia de vida, utilizando-se carne bovina moida putrefata (aproximadamente 10 g), colocada em recipientes plasticos (2 cm de altura x 4 cm de diAmetro). Diariamente, apos a troca das dietas, os ovos eram contados e de cada postura eram separados 10 para avaliar a eclodibilidade.

Das 81 femeas de S. nudiseta, 79 fizeram oviposicao (97,5%), com 5,31 oviposicoes por femea, o que pode ser considerado como alta produtividade. MV Ferraz (1992 Mem Inst Oswaldo Cruz 87: 131-139) observou 100% de larviposicao entre femeas de Peckia chrysostoma e Adiscochaeta ingens (Diptera: Sarcophagidae). Entretanto, RP Mello e MLM Garcia (1988 Mem Inst Oswaldo Cruz 83: 385-390) constataram que apenas 37,03% das femeas de Stomoxys calcitrans (Diptera: Muscidae) ovipuseram.

O periodo de pre-oviposicao de S. nudiseta ficou entre 9 e 28 dias, com 15,5 dias em media (Tabela). Usualmente, o ciclo gonadotrofico das moscas e curto: Phaenicia cuprina (Diptera: Calliphoridae) (X= 4 dias), Chrysomya megacephala (Diptera: Calliphoridae) (X= 8,02 dias) (AX Linhares 1988 Rev Bras Entomol 32: 383-392). Entretanto, Mello e Garcia (loc. cit.), em S. calcitrans observaram um periodo que variou entre 12 e 21 dias. Segundo G Tirone et al. (1996 Rev Bras Entomol 40: 105-106), em Muscina stabulans (Diptera: Muscidae), a duracao do ciclo gonado-trofico varia de acordo com a alimentacao dos adultos: 6,25 dias em figado e 12,16 dias em racao de aves.

O pico de oviposicao ocorreu entre o 12 e o 15 dias apos a emergencia. Mello e Garcia (loc. cit.) constataram que em S. calcitrans o pico de oviposicao tambem ocorreu nos primeiros dias de postura. Observou-se que 68% dos ovos eclodiram, resultado bem proximo dos encontrados por outros autores para muscideos: Sarcopromusca pruna - 58,67% (DP Paiva 1995 Rev Bras Biol 56: 183-190); Musca autumnalis - 76,7% (JE Cilek & FW Knapp 1989 Ann Entomol Soc Am 82: 346- 349). Foram obtidos 509,7 ovos por femea (Tabela), o que contrasta com os 255 ovos observados por LB Siddon e DM Roy (Parasitology 34: 239-245), em Calcuta, India.

Constatou-se que as femeas de S. nudiseta, mantidas isoladamente, na razao de 1M:1F, duraram em media 53,2 dias (Tabela). Em colonias, a longevidade deste muscideo foi menor (39,9 dias) (JM d'Almeida & JR Almeida 1996 Rev Bras Biol 56: 497-505). Paiva (loc. cit.) observou que, em colonias, as femeas de S. pruna duravam de 25 a 39 dias.

O potencial reprodutivo (razao entre o numero de ovos por oviposicao e o numero de ovariolos por femea) de S. nudiseta foi elevado (67,4%) quando comparado com os sarcofagideos Ravinia belforti - 43,6% (JM d'Almeida 1996 Mem Inst Oswaldo Cruz 91: 239- 240) e A. ingens - 55,5% (Ferraz loc. cit.) considerados baixos pelos autores.

No presente trabalho, o indice de investimento reprodutivo (razao entre o numero de ovariolos e o peso das femeas adultas) de S. nudiseta foi 4,1. CJ Zuben (1995 Tese de Doutorado, UNICAMP, Sao Paulo, 132pp.) estudando femeas de C. megacephala, oriundas de criacoes em condicoes adequadas de densidade larval, obteve 4,3 como indice de investimento reprodutivo.

Estes achados originais, ainda que preliminares, demonstram a necessidade de se aprofundar os estudos, utilizando femeas oriundas de larvas criadas em diferentes densidades.

Copyright 1997 Fundacao Oswaldo Cruz


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